Tuesday, January 23, 2018

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La Liga vira campeonato sem fronteiras

Difícil encontrar qualquer outro clube que tenha explorado com tanta eficiência as ferramentas de divulgação oferecidas pelo processo de globalização do que Real Madrid e Barcelona. Os clubes tornaram-se gigantes abocanhando fãs e seguidores em todos os cantos do planeta. Figuram entre as marcas mais valiosas do mundo.

Isso implantou um círculo virtuoso. Maior número de fãs – não importa onde eles estão localizados – significa mais dinheiro. Mais verba leva a contratações de jogadores de técnica superior. Ídolos geram um número ainda maior de seguidores. E o orçamento dos clubes não para de crescer.

Campeonato Espanhol ganha em exposição com gigantismo

O processo de agigantamento dos dois maiores clubes da Espanha teve seus efeitos colaterais. Não necessariamente negativos. Um dos aspectos positivos foi o crescimento do interesse pelo Campeonato Espanhol. O torneio nacional superou as fronteiras do país, passou a ser acompanhado em dezenas de países e criou uma marca, LaLiga, que vai se fortalecendo a cada temporada.

Em uma sociedade mercantilizada, essa expansão se transformou em dinheiro. Os direitos de transmissão tiveram seus preços aumentados e os patrocinadores fazem fila para vincular seus nomes aos clubes espanhóis. Realizado ao menos duas vezes ao ano, o duelo Barcelona x Real Madrid, que passou a ser conhecido simplesmente como ‘El Clássico’, é muito provavelmente o maior evento esportivo único do mundo. Embora faça parte da temporada regular de LaLiga consegue atingir milhões de lares através da transmissão ao vivo para mais de uma centena de países. É capaz de competir com eventos decisivos como o Super Bowl e finais de ligas como NBA, MBL e NHL em exposição na mídia e número de espectadores.

Processo gera distanciamento da concorrência

Esse processo também teve seu lado negativo. Houve uma sensível queda de competitividade no Campeonato Espanhol. Não que Real Madrid e Barcelona deixassem de dominar as primeiras posições do torneio antes de se tornarem marcas globais, mas tal supremacia tornou-se mais acentuada com o aumento de seus orçamentos na comparação com os de seus rivais.

Um bom ponto de comparação pode ser feito entre as 15 primeiras edições do Campeonato Espanhol, que começou a ser disputado na temporada 1928/29, e a mesma janela de tempo no início do século XX.

Nos primeiros 15 anos, o torneio viu oito times diferentes se revezarem nas conquistas. Somados, Barcelona e Real Madrid ficaram com a taça em quadro oportunidades. Entre a temporada 2001/2002 e 2005/2016, os campeões foram apenas quatro e as conquistas de Barça e Real subiram para 12.

Crescimento também impulsiona times de menor investimento

Embora grande parte da arrecadação com o Campeonato Espanhol siga diretamente para os cofres dos gigantes de Madrid e da Catalunha, os demais times também conseguiram se aproveitar do crescimento do bolo. Mesmo que internamente a distância financeira na comparação financeira tenha sido ampliada, o ganho serviu como trampolim para que as equipes do segundo pelotão espanhol conquistassem mais espaço no Velho Continente.

Utilizando novamente como base os 15 primeiros anos do século XXI, a Liga Europa teve equipes espanholas como campeãs em oito oportunidades. Foram cinco taças para o Sevilha, duas para o Atlético de Madrid e uma para o Valencia. Nesse intervalo, somente a Rússia teve mais que uma conquista. CSKA e Zenit foram os vencedores, respectivamente, nas temporadas 2004/2005 e 2007/2008.

O filé mignon do Velho Continente, a Liga dos Campeões, teve amplo domínio de Barça e Real. Nos primeiros 15 anos deste século, a dupla de gigantes espanhóis ganhou sete edições da mais importante competição de clubes do mundo. Os números mais recentes mostram uma superioridade ainda maior. Nas seis últimas temporadas (entre 2010/2011 e 2016/2017), foram cinco conquistas espanholas, sendo três do Real Madrid e duas do Barcelona. Um massacre.

Cenário interno apresenta poucas surpresas

O sucesso dos espanhóis nas duas competições continentais dá clara ideia da superioridade técnica de LaLiga na comparação com torneios de outros países da Europa. A melhoria da qualidade do futebol, contudo, não trouxe também o aumento da competitividade.

O Campeonato Espanhol é um dos menos surpreendentes do mundo. Perto de completar 100 anos de disputa, viu apenas nove diferentes times conseguirem levar ao menos um de seus troféus para sua galeria. A última ‘zebra’ na competição ainda data do século passado, quando Barcelona e Real Madrid ainda estavam engatinhando no caminho de virar marcas globais. Coube ao Deportivo La Coruña realizar uma pequena façanha e conquistar a edição 1999/2000 do torneio. Ainda não conseguiu repetir a dose.

O Real Madrid é o maior campeão nacional. Ficou com o título em 33 oportunidades. A mais recente conquista foi na temporada 2016/2017 e serviu para interromper a aproximação do Barcelona, que vencera seis das dez últimas edições de LaLiga, alcançando o total de 24 conquistas.

A distância em número de conquistas dos gigantes para os times ‘normais’ é imensa. Terceiro maior colecionador de troféus do Campeonato Espanhol, o Atlético de Madrid foi campeão ‘apenas’ dez vezes. Menos de um terço do número de títulos do Real e menos da metade das conquistas do Barcelona. É seguido por Athletic Bilbao (oito), Valencia (seis), Real Sociedad (dois), La Coruña (um), Sevilha (um) e Bétis (um).

Torneio segue o padrão de calendário europeu

A disputa de LaLiga segue o calendário padrão da Europa. Começa em agosto de um ano e vai até maio do ano seguinte com uma breve interrupção para as festas de Natal e Ano Novo. A temporada 2017/2018 conta com 20 participantes. São eles: Barcelona, Real Madrid, Valencia, Atlético de Madrid, Sevilha, Villarreal, Leganés, Getafe, Real Sociedad, Celta de Vigo, Bétis, Girona, Eibar, Levante, Espanyol, Athletic de Bilbao, La Coruña, Las Palmas, Alavés e Málaga.

Eles se enfrentam durante 38 rodadas em partidas de ida e volta. Ao final, quem somar o maior número de pontos fica com o título. Se houver empate na pontuação, o primeiro critério para determinar quem fica com a melhor posição é o confronto direto. Depois, saldo de gols e maior número de tentos assinalados.

Os seis primeiros colocados conseguem alcançar torneios europeus. Quem fica até o quarto lugar tem a oportunidade de disputar a Liga dos Campeões. Quinto e sexto colocados garantem vaga na Liga Europa. Os três últimos colocados são rebaixados para a Segunda Divisão, também conhecida como LaLiga 2.