Copa Libertadores Em cinco minutos, Palmeiras passa de confortável para quase eliminado

Em cinco minutos, Palmeiras passa de confortável para quase eliminado

benedetto boca

Não fazer gol fora de casa quando existe o gol qualificado é sempre um mau negócio. Até o 0 a 0 é ruim, porque na volta, um gol do rival obriga a vitória, já que o empate é de quem fez o gol fora de casa. Mesmo assim, uma vitória simples para o Palmeiras na volta faria o 0 a 0 na Argentina ser esquecido. A situação era confortável na Copa Libertadores.

A equipe alviverde se defendeu bem por grande parte do tempo, isso é inegável. O Boca, assim como o River na noite de terça, parecia uma equipe abaixo tecnicamente do alardeado. Se Abila é jogador de futebol, eu sou um engenheiro espacial aposentado. Pavón, que foi para a Copa do Mundo, estava completamente sumido. Zarate não foi efetivo, a não ser dando algumas pancadas na marcação.

Só que do outro lado, a bola não saia de Felipe Melo e Bruno Henrique para Moisés, Dudu e Willian, os três sumidos. Borja então, foi a versão ofensiva de tomador de cafezinho, porque a bola mal chegou no feudo que ele estava, completamente isolado do jogo. E assim passou 65 minutos de jogo.

Mudanças de Schelotto mudaram o jogo

Benedetto entrou em campo e mudou o jogo. Como ele era reserva?

E aqui não é um elogio ao ex-atacante, um dos algozes dos times brasileiros na virada dos 90 para os 2000. Ele demorou imensamente para mexer. Com sua primeira, colocou Villa na direita e o time só passou a jogar por lá, tentando explorar as costas de Diogo Barbosa.

O problema é que Villa não ganhou uma no mano a mano, criando pouco mais do que zero.

Precisou Benedetto entrar para aí sim mudar a partida. E fazer todo mundo que estava no estádio, vendo pela televisão e ouvindo pelo rádio pensar: “que foto o Abila tem do Schelotto para jogar 75 minutos e o Benedetto só 15?”.

Não concordo tanto com quem aponta o erro de Felipe Melo no primeiro gol, mas gostaria de destacar que a falta, que originou uma cobrança incrível de falta e uma bela defesa de Weverton foi um pé alto completamente desnecessário do volante. Defesa do goleiro, escanteio, gol do Boca.

O segundo gol sim teve um vilão mais claro: Luan saiu para um combate completamente seco. Tudo bem que 99% dos atacantes que jogam na América do Sul dominariam de costas, fariam um pivô mequetrefe e pronto. Benedetto girou e chutou seco, à la De Bruyne contra o Brasil.

E agora?

Palmeiras precisa jogar com a bola, algo que não fez nesta quarta

Eu disse acima que 0 a 0 na partida de ida pode ser considerado um resultado ruim para os mandantes no segundo jogo. Dois a zero então nem se fala. Usando o exemplo claro do Cruzeiro, o time abriu 1 a 0, teve chances para fazer o segundo, mas em um contra-ataque perdeu qualquer viabilidade.

Um golzinho do Boca significa a necessidade de 4 do Palmeiras. Ou seja, é tudo que o time argentino quer: depois de tentar colocar velocidade no jogo e não ser bem sucedido até o fim, agora o Boca vai poder cadenciar e explorar o toque de Pablo Perez e a velocidade de Pavón.

Mas o mais preocupante é que o Palmeiras de Felipão, por melhor que tenha ido até ontem antes do jogo, nunca esteve nessa posição de inferioridade, precisando marcar. Sempre conseguiu marcar primeiro e depois cozinhar o jogo.

A única exceção também envolve o Cruzeiro: o time mineiro fez 1 a 0 na Arena na semifinal da Copa do Brasil e o Palmeiras jogou mal precisando criar contra um time oportunista e bem montado, tanto no resto da partida na sua casa como no Mineirão.

O Palmeiras tem um elenco qualificado – o que deixa o show de chutões e falta de criatividade nesta quarta ainda mais feio – e pode empatar o placar agregado ou até virar. Tanto é respeitado que na Betfair a vitória do Boca pagava mais que 2 para 1, número alto que  indica que a casa de apostas não considerava improvável outro resultado.

Esse Boca está longe de ser como os que tinha Schelotto no ataque com Palermo e Riquelme municiando. Mas a situação ficou muito complicada. Tudo por cinco minutos de Benedetto e 90 minutos de estratégia errada.

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