Os quatro últimos sobreviventes da Liga dos Campeões da Europa 2019

Com o apito final em ambos Etihad Stadium e Estádio do Dragão, os últimos quatro participantes da Liga dos Campeões se tornaram conhecidos do público na última quarta-feira (17). Ajax, Tottenham, Liverpool e Barcelona farão juntos uma combinação inédita em semifinais de Champions, e só o fato de saber que, necessariamente, ou os holandeses ou os londrinos estarão na final já deixa tudo ainda mais interessante e histórico desde agora.

Vamos analisar com calma as respectivas campanhas, momentos e possibilidades dos quatro clubes que disputam a Liga dos Campeões mais interessante e surpreendente dos últimos anos, falando desde a formação do time com o respectivo técnico, sua atuação no seu campeonato nacional, o momento vivido por cada um e, claro, as chances reais que cada um tem de levantar a cobiçadíssima “orelhuda”.

Tottenham

son tottenham
Na ausência de Harry Kane, o sul-coreano chamou a responsabilidade para si e fez dois gols no City em pleno Etihad Stadium

Em primeiro lugar, é necessário reconhecer o trabalho fantástico que Mauricio Pochettino e todo o elenco dos Spurs vem fazendo nesta e nas últimas temporadas – e vamos lembrar aqui que quem está escrevendo é um ferrenho torcedor do Arsenal e odiador de carteirinha do nosso rival do Norte de Londres.

Assim como nas últimas quatro temporadas, a campanha do clube londrino na Premier League é muito boa, e só está ofuscada do seu verdadeiro brilho porque, logo acima na tabela, Manchester City e Liverpool estão fazendo algo que beira o sobrenatural. O Tottenham, antes considerado azarão, agora disputa de igual para igual com Chelsea, Manchester United e o arquirrival Arsenal as vagas para a Liga dos Campeões da próxima temporada – que pode conquistar, quem diria, via título da atual edição da mesma competição.

Aliás, falando em Champions, a vida dos Spurs foi complicada desde o início, pegando um grupo complicadíssimo com Barcelona, Inter de Milão e PSV. Tendo perdido logo de cara os dois primeiros jogos e empatado o terceiro (com requintes de crueldade, diga-se, tomando vários gols nos acréscimos), a situação dos Spurs era crítica.

A redenção veio nos jogos em casa contra PSV e Inter, ambos vencidos com gols no finzinho e, por fim, uma combinação de sorte e competência trouxeram não apenas um empate milagroso contra o Barça por 1×1 no Camp Nou, mas a classificação em segundo no grupo, superando a Inter no – acredite se quiser – quarto critério de desempate (gols fora em confronto direto).

Veio a fase mata-mata querendo castigar de novo os Spurs, com o sorteio colocando o sempre temerário Borussia Dortmund no caminho do clube inglês. Pois Pochettino e seus comandados não tomaram conhecimento dos alemães, golearam por 4×0 no placar agregado e se viram diante do Manchester City, time logo acima deles próprios na tabela do inglês e com Guardiola e companhia sedentos por títulos. Bom, o resultado disso nós vimos ontem, num dos jogos mais espetaculares de Champions de todos os tempos, quiçá da história do futebol.

O próximo desafio dos Spurs na Champions é o Ajax, cujo nome já inspirou mais medo em tempos passados, mas cujo qual também seria uma burrada excepcional subestimar – vide o que aconteceu com Real Madrid e Juventus.

Ajax

Sem medo dos gigantes, o Ajax despachou todo mundo que apareceu pela frente sem se intimidar em nenhum momento

Falar de um tetracampeão de UEFA Champions League como se fosse um azarão é bem esquisito, mas no caso do Ajax não impressiona ninguém, levando em conta que o clube holandês não vence o título europeu desde 1995 e chegou às semifinais pela última vez em 1997. Ainda assim, um elenco repleto de garotos talentosos deixou para trás simplesmente o atual tricampeão Real Madrid e a poderosa Juventus de Cristiano Ronaldo.

Quem enxerga a campanha dos holandeses como pura sorte para chegar onde chegaram precisa seriamente rever seus conceitos sobre futebol. Disputando a liderança da Eredivise ponto a ponto com o arquirrival PSV (ambos têm 74 pontos no momento em que este texto é escrito), o time de Amsterdam não fez feio na Liga dos Campeões tampouco.

Colocado num grupo com Bayern de Munique, Benfica e AEK Atenas, o Ajax passou em segundo sem perder um jogo sequer (três vitórias e três empates, incluindo aí dois com o Bayern). A invencibilidade dos holandeses só seria quebrada pelo Real Madrid, que venceu na Holanda por 2×1, mas tomou o troco de maneira espetacular na Espanha, como todos ainda lembramos: 4×1, sem choro nem vela.

Foi no jogo das quartas de final, que vimos na semana passada e ontem, que o Ajax realmente provou seu valor jogando fora de casa. Depois de passar incólume por Allianz Arena e Santiago Bernabéu, o time de Amsterdam calou a boca dos críticos que ainda restavam vencendo merecidamente a Juventus por 2×1, dentro do Allianz Stadium – e poderia ter sido mais.

Com um elenco tão jovem quanto competitivo com nomes como David Neres e De Ligt e incluindo também medalhões loucos para provar que ainda têm valor, como o artilheiro Tadić e até o interminável Huntelaar, o Ajax chegou até as semifinais, onde pega um Tottenham com campanha e situação igualmente louváveis. Seja lá quem chegar na final, já entrou para a história.

Barcelona

O Barcelona está louco para conseguir a tríplice coroa, conquistando Champions, La Liga e Copa do Rei – e é perfeitamente possível chegar lá

Começamos falando dos dois times-sensação da temporada europeia, então agora resta falar dos gigantes que metem medo e, de maneira nenhuma, surpreendem estar onde estão. Comecemos pelo Barcelona de Lionel Messi, que, mais uma vez, provou para geral que, se não é o melhor do mundo, não se sabe mais quem pode ser.

Desde que venceu a Liga dos Campeões pela última vez, na temporada 2014-15, o Barça passou três vezes consecutivas batendo na trave, sendo eliminado sempre nas quartas. Neste ano, os catalães foram colocados em um grupo bem difícil (o mesmo que o Tottenham, que já citamos), e saiu com quatro vitórias e dois empates, sem se complicar em nenhum momento.

Aliás, sinceramente, o Barça é um dos poucos times de todas as principais ligas europeias que não podemos dizer que se complicou para valer em algum momento da temporada. Tudo bem, em certo ponto os catalães não foram líderes do Campeonato Espanhol, mas faz 22 rodadas que estão em primeiro por lá e, não bastasse, em nenhum momento estiveram abaixo da segunda colocação. Se isso não é qualidade e consistência, eu não sei o que é.

Pela primeira vez desde 2015, o Barcelona pode conquistar a glória máxima, que é a chamada Tríplice Coroa, Triplete ou “Triple”: vencer seu campeonato nacional, a copa nacional e a Champions. La Liga está no papo, a Copa Del Rey terá sua conclusão contra o Valencia em maio e a Liga dos Campeões…bom é sobre isso que estamos falando, certo?

Depois de passar por Lyon e Manchester United nas oitavas e quartas, respectivamente, sem tomar conhecimento de nenhum dos dois (fazendo nove gols e tomando um só em quatro jogos contra eles), chegou a hora do real desafio dos espanhóis: enfrentar um Liverpool que parece uma máquina de jogar futebol, a versão mais afiada dos Reds na Premier League em quase 30 anos e, não bastasse, atual vice-campeão da Champions. Independentemente de quem sair vitorioso desse duelo de gigantes, já chega favoritíssimo na final só pelo desafio superado nas semis.

Liverpool

Com Salah destruindo no ataque e Van Dijk se tornando sério candidato ao posto de melhor zagueiro do mundo da atualidade, o Liverpool é o time a ser batido

Falar do Liverpool na atualidade é falar de qualidade, superação e, de uma maneira geral, trabalho duro e verdadeiramente louvável – e, de novo, quem diz isso é um Gunner aficionado.

Jürgen Klopp não é Guardiola, não é Mourinho e nem ninguém do tipo – com todo respeito devido aos dois técnicos. O alemão não parece acreditar em contratações milionárias para fazer milagre ou mesmo em tentar enfraquecer os rivais diretos comprando seus melhores atletas (a estratégia clássica de Bayern, City e United, entre outros).

O que Klopp parece acreditar, por outro lado, é em recuperação de veteranos deixados de lado e dilapidação de futuras estrelas. Basta pensar que Salah esteve muitos anos encostado no Chelsea até ser redescoberto no mundo do futebol, inicialmente pela Roma, e depois pelo Liverpool. Para se ter noção da diferença de rendimento, todos os gols já feitos pelo egípcio na sua carreira de clubes somam 76 tentos (juntando aí Al-Mokawloon, Basel, Chelsea, Fiorentina e Roma). Isso entre 2010 e 2017. De 2017 para cá, quando chegou ao Liverpool, Salah já marcou 66 gols. Precisa dizer algo mais?

Salah é a estrela do time, isso é inegável, mas todo o time do Liverpool mete medo nos adversários e não parece temer ninguém. Alisson, Van Dijk, Matip, Robertson e Alexander-Arnold formam a melhor defesa da Premier League, enquanto que veteranos como Milner e Henderson botam ordem no meio campo. Na frente, além de Salah, os monstruosos Firmino e Mané são responsáveis por outros 16 e 22 gols dos Reds na temporada, respetivamente, fora os 23 de Mohamed Salah.

Os Reds estão loucos para faturar um double na temporada, e passar pelo gigante Barcelona nas semis da Champions é o primeiro e mais complicado passo para chegar lá. Se conseguir segurar o Barça no Campo Nou no primeiro jogo, é perfeitamente possível passar com louvores dentro de Anfield. Os Reds dependem apenas de seu próprio talento, e isso não falta.

As chances de cada um em números

As odds em Betfair estão mais equilibradas do que um desavisado pode pensar, mas faz muito sentido depois de Ajax e Tottenham calarem a boca dos que duvidaram de seu potencial. Esses dois times contam com odds a 5 para 1 caso se sagrem campeões. Logo em seguida vem o Liverpool, com odds a 3,5 para 1. Se o Barça levar a orelhuda para casa, por fim, as odds são de 2,5 para 1.

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