Relembre 10 grandes clubes brasileiros que já foram rebaixados

Vasco lamenta
O Vasco não pode nem pensar em perder para o Bangu

Faltando apenas uma rodada para o Brasileirão 2019 chegar ao seu fim, só resta uma grande questão a ser respondida: quem vai cair para a Série B, Cruzeiro ou Ceará? As chances de ser a Raposa são matematicamente gigantescas, e por isso resolvemos fazer esse especial, no qual ninguém quer ver seu clube: os gigantes do futebol brasileiro que já foram rebaixados.

Essa lista não tem ordem, já que não há mérito nenhum em cair de divisão, então colocamos em ordem alfabética, beleza? Achou que faltou alguém? Deixe nos comentários!

10. Athletico-PR (1989/1993/2011)

Não houve Paulo Baier que salvasse o Athletico-PR do descenso em 2011 – uma maneira horrível de celebrar 10 anos de título de Brasileirão, aliás

O torcedor do Athletico-PR tem vivido nesta década alguns dos melhores momentos da sua história. Depois de vencer o Brasileirão em 2001, o time pode se orgulhar dos títulos de Sul-Americana de 2018 e Copa do Brasil de 2019. Ao mesmo tempo, o início da década foi muito turbulento para o Furacão, que foi rebaixado em 2011.

Não vamos focar nas duas primeiras quedas do Athletico, que aconteceram em 1989 e 1993, época em que o clube paranaense estava longe de ser considerado um dos nomes fortes do futebol brasileiro, mas sim na mais recente, que aconteceu quando o time já tinha no currículo os títulos que citamos e, ainda por cima, uma final de Libertadores em 2005.

O ano de 2011 foi para o torcedor esquecer. Foram seis técnicos diferentes passando pela Arena da Baixada, nenhum título e uma campanha horrorosa no Brasileirão, com 10 vitórias, 11 empates e 17 derrotas. Quis o destino que o jogo que selou o rebaixamento tenha sido justamente contra o arquirrival Coritiba, na Arena da Baixada. O Furacão venceu o Coxa, mas caiu por conta de outro resultado na rodada.

9. Atlético-MG (2005)

Tite não caiu com o Atlético-MG, já que o treinador foi demitido (assim como tantos outros que vieram depois) ainda no começo da temporada

O Atlético-MG pode se orgulhar de ser o primeiro campeão brasileiro da fase moderna do campeonato (1971), mas o início dos anos 2000 foi cruel para o Galo. Entre 2001 e 2006, para se ter ideia, nem Campeonato Mineiro o time conseguiu levar, e o ponto mais baixo do período veio justamente no ano de 2005 quando o time acabou rebaixado.

No ano anterior, o segundo ano de pontos corridos da fase moderna do Brasileirão, o time já havia escapado por pouco, tendo ficado em 19º, sendo que do 21º para baixo era Z4. Em 2005, enfim, veio a queda, num campeonato que o Galo passou quase o tempo todo apanhando – desde a sexta rodada, o time entrou na zona de rebaixamento para não sair mesmo, ou seja, absurdos 6 meses.

Um time que começou treinado por ninguém menos que Tite e tinha gente como o goleiro Danrlei, Euller, Cáceres e Amaral, entre outros, acabou jogando a Série B em 2006, venceu e voltou com tudo para a Série A em 2007, para não sair mais até hoje.

8. Botafogo (2002/2014)

O Botafogo podia não ser mais o time brilhante das décadas passadas, mas nunca havia caído – até 2002, quando foi para a Série B pela primeira, mas não não última vez

O Botafogo é um dos times mais tradicionais e respeitados da história do futebol brasileiro, mas isso não impediu o Fogão de viver momentos complicados, principalmente nos últimos 20 anos. Desde que venceu seu último Campeonato Brasileiro, no já longínquo 1995, o time carioca viveu uma notável decadência, que culminou com seu primeiro rebaixamento, em 2002.

O time não apenas foi rebaixado naquele ano, que marcou o último Brasileirão com fase final em mata-mata, mas terminou em último, abaixo de Gama, Palmeiras e Portuguesa. A campanha do Fogão foi a de menor número de vitórias e gol marcados, e o rebaixamento veio rápido e sem escapatória.

Já em 2014, com o campeonato de pontos corridos e 20 times bem estabelecido, o Fogão teve que se contentar com a penúltima posição, abaixo de Vitória e Bahia e acima apenas do Criciúma. A campanha medonha do clube carioca naquele ano foi de 9 vitórias, 7 empates e absurdas 22 derrotas em 38 jogos, de longe o time que mais perdeu.

O time foi campeão da Série B em 2015 e segue na elite de 2016 até hoje, mas sempre passando sufoco. O Botafogo, infelizmente, se tornou parte do retrato triste que, à exceção do Flamengo, é o futebol carioca hoje em dia.

7. Chapecoense (2019)

Foram seis longas temporadas na Série A, período durante o qual o time ganhou o carinho de quase todo mundo, mas o sonho finalmente chegou ao fim – pelo menos por enquanto

Foi preciso criar coragem para colocar a Chapecoense na nossa lista, mas decidimos que, embora não possa ser chamada de “Gigante do Futebol Brasileiro” como os outros, a Chape se tornou digna de figurar entre os grandes nomes da história por tudo que aconteceu no seu passado recente – e não estamos falando da tragédia de 2016, e sim da forma como o clube catarinense se levantou, sacodiu a poeira e seguiu em frente.

Não precisamos relembrar o desastre na Colômbia, ele segue vivo na memória de todos, mas é preciso lembrar, óbvio, que a Chape só estava viajando para Medellín porque era finalista de uma Copa Sul-Americana.

No ano seguinte, contra todas as previsões, o time não apenas jogou sua primeiríssima Libertadores de todos os tempos, como caiu de pé, mesmo que na primeira fase, tendo ficado em terceiro num grupo com os tradicionalíssimos Lanús-ARG e Nacional-URU, se classificando para a Sul-Americana, caindo apenas nas oitavas, diante do gigante Flamengo. E em 2017, ao final do Brasileiro, o time estava de novo em zona de Libertadores!

De lá para cá, a Chape sofria para se manter na Série A do Brasileirão, com um orçamento limitadíssimo e, querendo ou não, ainda lutando para reconstruir o time dentro e fora de campo desde o acidente. Em 2018 o time beliscou a última vaga para a Sul-Americana, mas em 2019 não teve como se manter na Série A e, depois de lutar bravamente, caiu para a segundona depois de louváveis seis temporadas consecutivas na elite.

6. Corinthians (2007)

Campeão Brasileiro de 2005 e no mata-mata da Libertadores de 2006, o ano de 2007 foi certamente o pior da história do clube paulista

De todos os times que citamos até agora na ordem alfabética, nenhum chocou tanto seus torcedores pela queda quanto foi o Corinthians em 2007. Não diminuindo os outros, obviamente, mas o fato é que o Timão, até pouquíssimo tempo antes disso, era campeão brasileiro, presença frequente em fases avançadas da Libertadores e um verdadeiro gigante das Américas.

Existem muitos motivos que levaram ao famoso rebaixamento corintiano de 2007, mas vamos nos ater aos básicos: a saída da parceira MSI, que levou consigo um caminhão de dinheiro, e a consequente perda de grandes atletas, incluindo a maior parte do elenco que havia sido campeão brasileiro em 2005: Tévez, Mascherano, Nilmar, entre outros.

O time que disputou o Brasileirão daquele ano não era necessariamente horrível, já que tinha nomes como o goleiro Felipe, o veteraníssimo Vampeta, Nilton e ainda o futuro craque Éverton Ribeiro, recém-promovido da base, mas pecava demais na hora de decidir, o que levou o time a ser o que mais empatava no campeonato – 14 vezes. Para se ter noção, o Timão perdeu 14 partidas, enquanto que o Goiás, primeiro time fora da zona de rebaixamento, sofreu 19 derrotas.

Por conta disso, o empate (claro) com o Grêmio na última rodada, somado à vitória do Goiás sobre o Inter, selou o descenso. Lágrimas de revolta, claro, mas muito cântico de esperança, e no final das contas o Corinthians foi campeão da segundona em 2008 (e chegou na final da Copa do Brasil naquele ano) e, graças à lição de humildade, podemos dizer, entrou numa década que seria a mais vitoriosa da sua história, com três Brasileiros, Libertadores e Mundial. Nada mal!

5. Fluminense (1997)

O Flu deveria ter caído em 96, escapou, caiu em 97 e, em 98, caiu da B para a C, na qual foi campeão (com o elenco desta foto aí de cima)

Falar sobre o(s) rebaixamento(s) do Fluminense é sempre complicado, porque entra muita polêmica aí – leia-se os chamados “tapetões”, manobras jurídicas, brechas no regulamento e outros métodos não muito glamorosos de conduta. O Flu deveria ter caído em 1996, por exemplo, mas a CBF suspendeu o rebaixamento naquele ano por suspeita de fraude na arbitragem. Ok.

A conta do Tricolor, porém, chegou já no ano seguinte, quando o Fluminense fez uma campanha horrorosa no Campeonato Brasileiro, com 4 vitórias em 25 jogos. O pior de tudo foi a Série B do ano seguinte, que viu o Flu caindo mais uma vez, agora para a Série C. Aqueles foram tempos de crise brava nas Laranjeiras, com troca de técnico sem parar, grandes contratações a peso de ouro dando em nada e, mais uma vez, interferência jurídica para tentar resolver.

Campeão da Série C em 1999, o Flu foi um dos protagonistas da bizarríssima Taça João Havelange 2000, que reuniu nada menos que 116 clubes de três divisões em um único torneio, vencido no final das contas pelo Vasco. O Fluminense permaneceu na Série A, cercado de polêmicas, como aconteceria de novo no lamentável caso com a Portuguesa, em 2013.

4. Grêmio (1991/2004)

O jogaço contra o então líder Athletico-PR, no qual o Grêmio perdia por 3×0 e buscou o empate, no fim das contas, não impediu o tricolor de voltar à segundona depois de 13 anos

Pouca gente hoje se lembra bem do primeiro rebaixamento do Grêmio, no já distante 1991, quando o Imortal caiu pela primeira vez para a segundona, mas aquilo foi um marco no momento – era a primeira vez que um time campeão da Libertadores era rebaixado. O Grêmio fez uma campanha sofrível e, dois anos depois de levantar também uma Copa do Brasil, foi relegado. A recuperação viria, porém, e em 1995 o Grêmio estaria conquistando sua segunda Libertadores e, no ano seguinte, seu segundo Brasileirão.

Já em 2004, a coisa foi mais complicada. A era “várzea” do Brasileirão, que culminou no ano 2000, como já falamos, era passado; 2004 já era a fase de pontos corridos e de futebol mais sério, e por isso ver o Imortal sendo rebaixado como foi certamente representou um choque.

O time foi simplesmente o último, e bem afundado na tabela – ao final do campeonato, a diferença de pontos para o vice-lanterna Vitória era de 9 pontos. Numa competição inchada de 24 clubes, ou seja, 46 jogos, o Tricolor Gaúcho só venceu 9 e perdeu inacreditáveis 25.

Todo mundo se lembra daquele memorável 3×3 contra o então líder Athletico-PR, que estava 3×0 para o Furacão e custou a primeira posição e eventualmente o título ao clube paranaense, mas o que deixou todos embasbacados mesmo foi ver o gigantesco Grêmio ir jogar a Série B em 2005.

3. Internacional (2016)

O Internacional nunca havia sido rebaixado, mas o duro golpe da realidade chegou em 2016, quando o Colorado caiu – sem choro, nem vela, nem advogado que salvasse

Do famoso clube de times que se orgulham em nunca ter sido rebaixados, o Inter foi o último a se despedir, pelo menos até 2019, quando a Chapecoense também caiu e, ao que tudo indica, será seguida pelo Cruzeiro. 2016 está logo ali, podemos dizer, e por isso o choque de um time do porte do Internacional ter caído ainda é grande.

Assim como o arquirrival Grêmio, o Inter havia sido campeão da Libertadores poucos anos antes de acabar caindo (2010 no caso do Colorado). O time dos anos seguintes podia não ser um sonho lindo dos boleiros, mas o Inter sempre terminava pelo menos no meio da tabela – e em 2014 pegou até vaga para a Libertadores.

Em 2016, porém, a coisa foi bem diferente, quando o Inter fez uma campanha bem lamentável, especialmente no segundo turno, além de ter cometido o erro de focar quase que exclusivamente na Copa do Brasil, da qual acabou eliminado nas semifinais, e já estava em situação desesperadora no Brasileirão.

O empate com o Fluminense na última rodada decretou a queda do Inter, que também tentou apelar para os tribunais desportivos para tirar pontos do Vitória, que lutava contra o rebaixamento ponto a ponto com o Colorado, mas o “tapetão” não vingou, digamos. Inconformado, o Inter jogou a Série B em 2017 e retornou, triunfante, à elite em 2018.

2. Palmeiras (2002/2012)

Gigante e multicampeão, o Palmeiras viveu um calvário entre 2002 e 2014, quando acumulou dois rebaixamentos que poderiam ter sido mais, convenhamos

Entre os times que citamos, algumas das experiências mais traumáticas de descenso à Série B são as do Palmeiras, que esteve na segundona em duas oportunidades, separadas por exatos 10 anos.

Em 2002, o que se viu foi um time que fora desmontado e um clube que fora depenado financeiramente após a saída da parceira Parmalat em 2000. Depois de ser campeão e vice da Libertadores em 1999 e 2000, respectivamente, o Verdão se viu em 2001 no meio da tabela do Brasileirão e, no ano seguinte, rebaixado pela primeira vez na sua história, mesmo tendo no elenco astros do porte de Marcos (que fora campeão do mundo com o Brasil meses antes), Sergio, Arce, Zinho, Muñoz e outros.

A queda foi dura, mas o título da Série B em 2003 e o retorno triunfal do time à elite mostraram que o Palmeiras era um gigante ferido, mas ainda gigante. O resto da década passou de maneira apagada, com o Verdão conseguindo apenas um Paulistão, em 2008, e nada mais.

Em 2012, a crise voltou a assolar o Parque Antártica e, num evento bizarro, o time se sagrou campeão da Copa do Brasil (invicto) e se viu rebaixado na mesma temporada, após um Campeonato Brasileiro para esquecer, com 22 derrotas em 38 jogos – e ainda assim jogaria a Libertadores 2013 simultaneamente à Série B.

O time até foi campeão da segundona de novo em 2013, mas os dias de sorrisos só voltariam mesmo a partir de 2015, com título de Copa do Brasil naquele ano e dois Brasileiros, em 2016 e 2018 (o Palmeiras quase caiu de novo em 2014, sendo salvo ironicamente pelo rival Santos, que venceu o Vitória por 1×0 no Barradão e decretou a queda dos baianos, salvando o Alviverde).

1. Vasco (2008/2013/2015)

Junto com o Athletico-PR, o Vasco é o time da nossa lista que mais vezes caiu. Mais grave do que o caso do Furacão, porém, é que o Gigante da Colina foi rebaixado três vezes em apenas oito temporadas

Para encerrar nosso triste especial, temos que falar do time que vive verdadeiros pesadelos no Campeonato Brasileiro há mais de 10 anos já: o Vasco da Gama. O torcedor do Vasco se acostumou tanto aos altos e baixos do time que nem deve sofrer mais – mentira, sofre, isso sabemos.

O primeiro descenso certamente foi o mais cruel, já que o tetracampeão brasileiro quase só conhecia glórias até então, sendo um timaço a ser temido e, mesmo quando não faturava títulos, estava sempre brigando por eles. Tudo mudou em 2008, quando o Gigante da Colina fez uma temporada tenebrosa de 20 derrotas em 38 jogos, tendo levado assustadores 72 gols – a defesa era uma mãe, convenhamos.

É verdade que o Vasco foi campeão da Série B logo em 2009 e já estava de volta à elite em 2010, mas dali em diante as temporadas eram verdadeiras montanhas-russas. Em 2011, por exemplo, o time ficou com o vice-campeonato, tendo ficado apenas dois pontinhos atrás do campeão Corinthians, time que os cariocas enfrentariam nas quartas da Libertadores do ano seguinte, num jogaço que se tornou lendário.

Apenas um ano depois, porém, recomeçaria o calvário vascaíno, com o time de São Januário fazendo uma campanha digna de pena e terminando em antepenúltimo. Só deu tempo de jogar a Série B em 2014, da qual o time subiu apenas na terceira posição, e em 2015 o Vasco já estava rebaixado mais uma vez, em outra campanha lamentável, com os segundos piores ataque e defesa do Brasileirão.

Mais uma Série B em 2016, mais um retorno e o Vasco parece ter se estabilizado de novo na elite. Dizer que as coisas estão fáceis para o torcedor vascaíno, porém, seria uma mentira deslavada.

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