Fluminense e Vasco salvam-se em 2018, mas terão que encarar nova realidade

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Em pleno Maracanã, o América-MG consegue um pênalti. Pode ser o suficiente para decidir a partida, a salvação do time no Brasileiro e talvez a derrocada do rival naquele mesmo dia, o Fluminense. O atacante Luan bate mal, Júlio César defende a bola se adiantando e depois cai no gramado com “dores” no braço.

Já falei aqui um milhão de vezes o quão patético acho a cera, especialmente de goleiros, no futebol brasileiro. O Fluminense acabou se salvando com um gol ainda no primeiro tempo. O Vasco não caiu com um empate por 0 a 0 com o Ceará em Fortaleza. Ambos ficam na Série A. Por quanto tempo?

O grande perdedor desta edição do Campeonato Brasileiro da Série A foi o futebol carioca. Não teve nenhum time rebaixado, algo que tornou-se natural desde que começaram os pontos corridos. Mas além dos quase rebaixados, tivemos o Botafogo em campanha medíocre e o Flamengo decepcionando apesar de seu alto investimento. Isso sem contar que não teremos times cariocas na Série B mais uma vez.

Se ficou evidente que temos uma nova casta no futebol brasileiro lá em cima – com o Flamengo incluso – por causa da diferença de organização e orçamento, ficou claro também que clubes grandes e tradicionais ficaram para trás. Vasco e Fluminense são dois deles. Pode colocar o Botafogo também, sem dúvidas. Mas hoje deixo a Estrela Solitária de fora.

É só questão de tempo para Vasco e Fluminense caírem

A temporada dos dois times já começou mal, com o Vasco levando 4 do Jorge Wilstermann e caindo na fase de grupos da Libertadores e o Fluminense sendo eliminado na terceira fase da Copa do Brasil, para o Avaí. De lá para cá só ficou pior.

É fácil só ver trocas de treinador ou elencos fracos e colocar a culpa nisso. Mas essa é realmente a ponta do iceberg. O Palmeiras trocou de treinador, assim como o Flamengo. E elencos fracos estão por toda a tabela do Brasileirão. Ou o elenco do Atlético-PR é forte?

O que faz os clubes cariocas como Vasco, Fluminense e Botafogo terem caído de status são as diretorias patéticas, disputando quem tem mais poder no Titanic que afunda. As dívidas milionárias e as contratações patéticas e infladas são o produto de pessoas sem a mínima preparação no comando de clubes.

E o mais curioso é que quando esses times olham para a base no desespero, ainda saem produtos bons. Mas os jogadores chegam no profissional completamente fatiados. Uma venda pouco impacta no cofre dos clubes.

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O Fluminense ainda foi longe na Sul-Americana, antes de cair feio para o Atlético-PR

O mais curioso é que o Palmeiras estava em situação similar em 2013/14, mas teve uma junção de fatores perfeita: um mecenas apaixonado pelo clube que conseguiu ascender na política podre que existia e um estádio em área nobre que foi reconstruído e transformado em arena de shows foram o principal.

A WTorre só ofereceu o que ofereceu porque sabia do poder econômico de São Paulo, da possibilidade de espetáculos o ano inteiro e o potencial dos torcedores, que podem pagar programas de sócios, consumir no estádio e os produtos oficiais e encher a casa a todo momento.

A cereja do bolo, no fim, foi o patrocínio da Crefisa, que pode se tornar um problema mais tarde, mas deixamos isso para outro post. A própria patrocinadora disse que o que afugenta as empresas dos clubes brasileiros é sua política corroída. Ela está certa (errada está em querer participar dessa política com as mesmas práticas).

Essa virada 180º é possível no Fluminense e no Vasco? Não vejo como. Até pode aparecer um mecenas de bolso fundo para ajudar o time. O que tinha, Celso Barros (Unimed), não conseguiu fazer o clube entrar na modernidade. Com sua saída o time deixou o primeiro escalão do futebol brasileiro e só não caiu porque… seu advogado foi sensacional

As Laranjeiras não são o que era o Palestra Itália. E o Rio de Janeiro não é o que São Paulo é. Mesmo com o Maracanã à disposição, a torcida está disposta e pronta para colocar 35 mil de média? Em 2012, quando o time foi campeão, a média era de 13 mil pessoas. Claro, tinha o fator Engenhão. Mas ter um estádio central apenas não é o que faria esse intervalo de 20 mil pessoas sumir.

E que empresa vai despejar milhões e milhões, como a Crefisa, para se sujeitar a pessoas como Eurico Miranda?

Recuperação do Flamengo é mais adaptável

A recuperação do Flamengo é mais realizável, já que estamos falando de um clube que também não tem uma estrutura incrível e as dívidas eram enormes. Mas mesmo com a nova realidade financeira, o desempenho esportivo não chegou no mais alto nível.

E além disso o Flamengo tem maior torcida e maiores chances de renda, seja com rendas, direitos televisivos – o que criou a nova casta de times grandes que citei acima – e patrocinadores.

Vasco e Fluminense podem ser melhores que a rabeira do Campeonato Brasileiro e o exemplo de Palmeiras e Flamengo pode servir como uma luz. Mas vendo como funciona a vida política desses dois clubes, acho que vamos ver mais comemorações em campo com “não-quedas” e campanhas de 40 e poucos pontos no Brasileirão para esses dois times.

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