Pior calendário do mundo dá largada na ultramaratona para o Clube dos 7

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Guerrero Flamengo

Os sete clubes mais bem-sucedidos do Brasil vão começar a cumprir nesta quarta-feira, 25 de julho, a punição estabelecida pelo calendário nacional para aqueles que conseguem sucesso. Serão expostos a uma ultramaratona de jogos que apresenta um obstáculo quase intransponível na tentativa de colocar um ou mais troféus em suas galerias.

O desafio será encarado por Santos, Cruzeiro, Corinthians, Grêmio, Flamengo, Bahia e Palmeiras. São os sete sobreviventes na disputa tanto do Campeonato Brasileiro quanto da Copa do Brasil e, de quebra, ainda enfrentam o desafio de buscar a taça em torneio continental, seja ele a Copa Libertadores da América ou a Copa Sul-Americana.

Engarrafamento de datas foi estabelecido na temporada passada

Essa situação começou a ser desenhada na temporada 2017, quando a Confederação Sul-Americana de Futebol estendeu suas competições, que eram limitadas ao primeiro semestre, até o final do ano. Ao reunir essa mudança com a realização da Copa do Mundo, o Brasil, um dos poucos países do continente que não utiliza o calendário ao estilo europeu, foi quem sofreu os maiores danos

Cruzeiro
O Cruzeiro foi o único time nacional a conquistar três títulos no mesmo ano, mas mesmo assim nenhum internacional

Quando o Bahia entrar em campo para enfrentar o Cerro, do Uruguai, na Arena Fonte Nova, em Salvador, estará aberta uma ultramaratona com jogos aos meios e finais de semana praticamente até dezembro para quem, naturalmente, conseguir sucesso.

Só fracasso concede descanso

A melhor definição para essa situação foi oferecida pelo comentarista Paulo Calçade, do canal especializado em esportes ESPN Brasil. O analista declarou que o calendário brasileiro é feito para o fracasso.

É virtualmente impossível um time conseguir vencer todas as competições dado o número absurdo de confrontos, que pode superar a marca de 80 por ano, se a equipe alcançar as fases decisivas dos três torneios: Brasileirão, uma Copa continental e Copa do Brasil.

Isso jamais aconteceu. O mais próximo conseguido nesse sentido foi com o Cruzeiro de 2003. Na primeira vez que o Campeonato Brasileiro foi disputado no sistema de pontos corridos, o técnico Vanderlei Luxemburgo e o meia Alex levaram a Raposa à conquista do Brasileirão, da Copa do Brasil e do Campeonato Mineiro. Fazer o ‘upgrade’ do título estadual para o continental parece uma missão quase impossível.

Janela de transferências inclui obstáculo extra para sucesso

É difícil imaginar um mesmo time conquistando os três títulos na mesma temporada, algo que acontece com certa frequência na Europa quando as equipes bem-sucedidas terminam o ano com pouco mais de 60 confrontos realizados. No Brasil, para chegar ao mesmo ponto são necessárias duas dezenas de partidas a mais.

Vinícius Júnior
Além do imenso número de jogos, os clubes ainda correm o risco de perder jogadores na janela de transferências. Vinícius Júnior, do Flamengo, já foi

Para piorar, o Brasileirão é o único dos torneios nacionais de alguma importância no planeta que apresenta sua mais movimentada janela de transferências no meio da disputa. Até o começo de setembro – quando faltarão cerca de três meses para o final dos torneios – times podem ser desmanchados com as vendas de jogadores para o exterior.

Bahia tem o calendário mais apertado do Clube dos 7

Único integrante do Clube dos 7 que não está na Libertadores, o Bahia sequer pode contar com a paralisação de pouco mais de 30 dias das principais competições nacionais para a realização da Copa do Mundo da Rússia. Enquanto os outros seis times tiveram tempo livre para treinamentos, disputou – e fracassou – a final da Copa do Nordeste contra o Sampaio Corrêa.

A partir de agora, para que consigam algum tempo para treinar novas soluções e formatos táticos, os técnicos precisaram contar com eliminações nas competições em formato de copa. Só dessa maneira ganharão algumas semanas livres. Porém, mesmo assim, talvez nem consigam utilizá-las, uma vez que o desgaste dos jogadores é tão grande que muitas vezes os períodos são usados quase que exclusivamente para a recuperação física dos atletas.