Prêmio superior ao da Mega-Sena na Copa do Brasil coloca Brasileirão em risco

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R$ 278.290.000,00. Esse é o valor que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) vai distribuir para os 91 participantes da edição 2018 da Copa do Brasil, que tem início marcado para 31 de janeiro. O valor é superior, por exemplo, à premiação da Mega-Sena da virada, que oferece a maior bolada de uma loteria no Brasil.

As premiações anunciadas pela organizadora da competição estão dando água na boca nos membros dos departamentos financeiros das equipes participantes. O campeão, por exemplo, vai embolsar R$ 50 milhões. O valor pode ser garantido realizando somente oito partidas, o que significa um faturamento de R$ 6,250 milhões só em prêmios, sem somar a arrecadação da bilheteria e outras fontes de receita. Isso vale para os seis clubes pré-classificados para as oitavas de final.

Mesmo para quem começa da fase um, o caminho não é dos mais longos. Para conseguir um lugar nas oitavas de final é preciso fazer seis jogos. Assim, são 14 enfrentamentos até erguer a taça. Isso renderia prêmio superior a R$ 3,5 milhões por confronto.

Brasileirão exige mais jogos e paga bem menos

Isso significa fazer menos da metade dos jogos estabelecidos para qualquer participante da Série A do Campeonato Brasileiro. Em 2017, a Primeira Divisão do futebol nacional distribuiu menos de R$ 64 milhões em premiações.

O Corinthians foi quem recebeu mais. Levou R$ 18.069.300,00 por concluir o torneio em primeiro lugar após 38 partidas disputadas. Pouco menos de R$ 500 mil por confronto.  O valor por jogo é menor que qualquer time eliminado na primeira fase da Copa do Brasil 2018 irá receber para realizar uma partida.  O total é inferior ao que vai faturar o vice-campeão. Para o segundo colocado da próxima edição da Copa do Brasil, a CBF reservou um mimo de R$ 20 milhões.

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Source: Esporte Interativo

Tática ‘Brasileirão, volto já’ pode ganhar ainda mais adeptos

O aumento de mais de 733% na premiação em relação à temporada anterior da Copa do Brasil fez até mesmo o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, aventar a possibilidade de o clube priorizar a competição em detrimento do Brasileirão. Isso não seria uma novidade, mas apenas o aumento de uma tendência que teve um grande número de adeptos na temporada 2017.

O mais destacado dos times que adotaram a estratégia “Brasileirão, volto já” para que pudessem se dedicar mais a outras competições foi o Grêmio. Sempre que o tricolor gaúcho tinha jogos decisivos da Copa do Brasil, mesmo com prêmios menores, ou, principalmente, da Copa Libertadores da América, escalou equipes mistas ou inteiramente reservas no Campeonato Brasileiro.

Tal opção ganhou força depois que o número de vagas oferecido pelo Brasileirão para disputas continentais aumentou. O torneio garante a participação dos 13 primeiros colocados na Libertadores (seis) e Sul-Americana (nove). Dependendo do resultado das equipes nacionais nos torneios internacionais ao longo do ano, a classificação pode ser alcançada até pelo décimo quinto colocado. Isso permite a quem avalia que não tem condições de brigar pelo título dedicar seus maiores esforços para competições no estilo mata-mata, que abrem uma chance maior para zebras, sabendo que não ficarão de mãos abanando.

Mesmo sem o megaprêmio da Copa do Brasil, em menor ou menor grau, devido ao torneio nacional e também aos sul-americanos, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Flamengo, Chapecoense, Atlético-MG e Botafogo, por exemplo, deixaram o Brasileirão de lado em uma ou mais rodadas para que pudessem focar em torneios paralelos. Com o gigantesco aumento da premiação da Copa do Brasil, a tendência é de que mais equipes abandonem parcialmente o Campeonato Brasileiro.

Só primeira fase consome R$ 40 milhões em prêmios

A CBF separou os 91 disputantes da Copa do Brasil em três grupos visando estabelecer a premiação. Esses blocos foram definidos a partir do ranking da competição. Na primeira etapa, que tem 80 disputantes, os times do grupo 3 vão receber R$ 500 mil pela participação. Para as equipes do grupo 1, o valor sobe para 1 milhão. Assim, no mínimo, R$ 40 milhões serão distribuídos no estágio inicial. Na segunda fase, que tem 40 clubes envolvidos, os valores oscilam entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão. Até essa etapa, os confrontos são definidos em jogo único.

Na terceira fase, já no sistema de ida e volta, os valores sobem para R$ 1,4 milhão para todos os 20 times envolvidos. A partir daí a divisão dos grupos para definição das cotas não é mais levada em conta. Na quarta etapa, o prêmio pela participação atinge R$ 1,8 milhão para os dez times que sobreviverem.

A partir das oitavas de final, as cinco equipes que avançarem vão acolher outros 11 times pré-classificados.  São eles: Cruzeiro, Palmeiras, Grêmio, Santos, Corinthians, Flamengo, Vasco e Chapecoense (classificados para a Libertadores); Bahia (campeão da Copa do Nordeste 2017); Luverdense (campeão da Copa Verde 2017); e América-MG (campeão da Série B). Cada um leva R$ 2,4 milhões. Os oitos sobreviventes vão faturar R$ 3 milhões por sua participação nas quartas. Os semifinalistas engordarão suas contas em R$ 6,5 milhões e os dois finalistas vão levar, somados, R$ 70 milhões.