Grêmio sai demais de seu jogo e é punido no fim pelo River e VAR

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River Plate Grêmio

Com 35 minutos do segundo tempo o Grêmio estava totalmente no controle da situação. Com 1 a 0 no placar, a equipe estava sendo empurrada pela torcida e sofrendo pressão do River Plate, mas nada que fosse sufocante. A equipe argentina, mesmo com domínio da bola e vários jogadores técnicos, falhavam no último terço do campo.

Vinte minutos depois, o time gaúcho estava eliminado da Libertadores, onde tinha grande chance de conquistar o tetra e superar São Paulo e Santos para ser o maior vencedor brasileiro da competição.

O que aconteceu nesses 20 minutos? Vamos falar nos tópicos.

Grêmio saiu demais de suas características

Os treinadores brasileiros parecem confundir ser competitivos com se trancar na defesa, jogar no contra-ataque, fazer 1 a 0 e abdicar do jogo. Renato Gaúcho e seu Grêmio era a maior e mais nobre exceção, sempre propondo jogo, trocas de passes rápidos, jogo de pontas seja com Luan, Everton ou quem ocupar essa função.

Para o jogo de ida contra o River o time justamente não pode contar com Luan e Everton e todo mundo entendeu que era hora de ser mais conservador. A estratégia deu muito certo, já que o time não só segurou o técnico River como ainda fez 1 a 0.

Para o jogo de volta Renato decidiu fazer o mesmo. Só que o River veio vacinado e pressionou muito. O Grêmio jogou recuado demais, abdicando da bola. Mas em um escanteio que foi desviado na origem, Leonardo chutou e a bola desviou de novo antes de entrar no canto. 1 a 0 Grêmio.

Pronto, a transmissão do Sportv construiu uma estátua em tempo real para Renato por sua estratégia impecável. E isso que é duro do futebol: uma opção que não necessariamente é boa pode dar certo. E brigar com resultado sempre é inglório. O River foi melhor no primeiro tempo.

No segundo tempo o Grêmio começou a proteger ainda mais o resultado e Renato teve seu melhor acerto da noite: colocou Everton logo para explorar a completa estratégia kamikaze de Marcelo Gallardo.

E isso que é duro do futebol. Everton saiu na cara do gol, mas justamente o autor de 17 gols na temporada e 5 na Libertadores não fez o 18º e sexto na competição.

River não é a última bolacha

Vendo o Linha de Passe da ESPN Brasil depois do jogo parece que o River era a última bolacha do pacote, o time ultra-técnico que se impôs. É verdade que ele é melhor treinado que os times brasileiros e sabe propor jogo. Mas é verdade também que erros de passes bobos abundaram e Lucas Pratto foi a definição de “9 cone”.

E o time argentino teve que partir para o tudo ou nada da forma mais brasileira possível. Bola na área, erro da defesa do Grêmio, que estava na pequena área e deixou Borré fazer o gol livre. A bola resvalou na mão, algo que os gremistas reclamaram depois. Sinceramente, eu não tiraria o gol.

Depois, chute de Scocco que Bressan teve a infelicidade de estar com o braço aberto. Ninguém viu e ninguém reclamou, mas o VAR pegou o pênalti e graças ao bom pai que ele existe, porque foi inegável. River virou.

Bressan Grêmio lamenta
Bressan ficou revoltado com a marcação do pênalti. Mas não tem o que falar.

O River tem méritos por sempre querer jogar e gostar da bola, algo que os times brasileiros parecem não ter esse apreço, o que é um chute no saco de nossa história. Porém, a qualidade técnica falta em diversos momentos. Já vi vários River melhores, sem dúvidas.

Por enquanto, quem apostou que eles se classificariam para as finais aproveitam agora um ganho de 4,5 para 1 apostado na Betfair.

E para o Grêmio?

Foi um golpe muito duro, que nem dá para culpar Renato porque o time perdeu jogadores no momento mais importante. A falta de elenco pesou, tendo que sair das características porque perdeu Luan e Everton, no fato de ter Jael no comando do ataque e Bressan ter que entrar no fim.

Essa foi a razão também para a equipe ter abdicado do Brasileiro para concentrar suas forças no tetra. O ano termina sem um título de grande expressão e agora o objetivo precisa ser conseguir a vaga direta na Libertadores – o time está em quinto no Brasileiro – e manter Renato Gaúcho, que deve ser o queridinho do Flamengo para 2019.