Relembre a trajetória do Palmeiras no Brasileirão 2018

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Quando Deyverson balançou as redes do Vasco da Gama aos 26 minutos do segundo tempo no Rio de Janeiro, não foram só os 5 mil torcedores do Palmeiras que esgotaram os ingressos de visitante em São Januário que comemoraram, se abraçaram e gritaram em êxtase.

É difícil imaginar que os outros aproximadamente 12 milhões de palmeirenses espalhados pelo Brasil e pelo mundo não tenham sentido a alegria que só um título nacional para o seu time do coração é capaz de trazer, e que ficou a apenas 20 minutos de se tornar realidade. O Palmeiras caminhava para o decacampeonato.

No apito final, os 16 mil vascaínos que lotaram seu estádio também mostraram cordialidade e aplaudiram os novos campeões brasileiros, que levantam seu segundo título nas últimas três edições, sexto desde a formalização do Campeonato Brasileiro em 1971 e décimo oficialmente reconhecido pela CBF. Contando a partir da Taça Brasil de 1960, nenhum outro clube tem tantos títulos nacionais quanto a Sociedade Esportiva Palmeiras.

É certo, claro, que a conquista alviverde não foi resultado apenas da vitória contra o Vasco; o título vinha sendo construído e consolidado há meses através de uma campanha vitoriosa e sólida, com um ataque esmagador e uma defesa difícil de vazar – ambos dignos da letra do hino palmeirense. Vamos relembrar como foi o Brasileirão 2018 do mais novo campeão?

Deyverson entrou no lugar de Borja e marcou o gol que garantiu o título do Brasileirão 2018 ao Palmeiras

O início com Roger Machado

Depois de passagens por Juventude, Grêmio e Atlético-MG, Roger Machado foi anunciado pelo Palmeiras como o técnico para a temporada 2018. Além da melhor campanha na fase de grupos da Libertadores, o treinador teve uma trajetória bem respeitável com o Verdão. Os primeiros quatro jogos do Brasileirão incluíram empates com Botafogo e Chapecoense e vitórias sobre Inter e Atlético-PR, até que o Palmeiras perdeu o derby com o arquirrival Corinthians por 1×0 em Itaquera.

Parecia que haveria recuperação após uma vitória sobre o Bahia por 3×0, mas uma derrota amarga perante o Sport em pleno Allianz Parque, de virada e com direito a pênalti perdido por Keno no último minuto, encheram o chope do Palmeiras de água. Na rodada seguinte, nova derrota, desta vez perante o Cruzeiro fora de casa, e Roger Machado começou a ser contestado pelo torcedor palestrino.

Primeira sequência invicta

Nada melhor para se recuperar de um início de crise do que vencer um rival, e foi isso que o Palmeiras fez, derrotando o São Paulo na 9ª rodada por 3×1 na Barra Funda. Logo em seguida, uma vitória importante contra Grêmio em Porto Alegre por 2×0. A terceira vitória seguida só não veio contra o Ceará porque o Vovô de Fortaleza empatou no último instante e a partida terminou em 2×2.

O próximo adversário foi o Flamengo, que acabaria sendo o maior perseguidor do Verdão até o final da competição. O jogo do primeiro turno, em São Paulo, terminou em 1×1, e foi marcado pela violência dentro de campo, resultando em nada menos que seis expulsões. Esse foi o último jogo antes da pausa para a Copa do Mundo.

No retorno do Brasileirão, em fins de julho, mais um clássico e mais um empate por 1×1, desta vez contra o Santos, na Vila Belmiro, e com direito a “lei do ex”, já que o tento palmeirense foi anotado por Lucas Lima. A última vitória do Palmeiras sob o comando de Roger Machado veio sobre o Atlético-MG, em um jogo eletrizante de cinco gols que terminou em vitória alviverde por 3×2, com dois gols de Bruno Henrique (inclusive o da vitória, aos 48 do segundo tempo).

Incertezas: a queda de Roger Machado

Depois de ser derrotado pelo Fluminense por 1×0, Roger foi demitido do comando do Palmeiras. Mesmo na sétima colocação do Brasileirão com 68% de aproveitamento, firme na Libertadores e na Copa do Brasil, a diretoria alviverde preferiu seguir em frente inicialmente com o interino Wesley Carvalho, que venceu o Paraná por 3×0 no Allianz Parque no seu único jogo como técnico.

Com o intuito de efetivar um nome forte para continuar o resto da temporada e tentar alcançar os títulos das três competições que ainda disputava, o presidente Mauricio Galiotte e os outros cartolas decidiram trazer de volta um ídolo palestrino, cujo nome por muitos anos foi sinônimo de técnico do Palmeiras, mas que andava com a moral em baixa depois de certa humilhação comandando certa seleção nacional em certa Copa do Mundo…

A volta de Felipão

Luiz Felipe Scolari estava há três anos na China, treinando o Guangzhou Evergrande. Antes disso, na segunda metade de 2014, houve a segunda passagem pelo Grêmio, onde o técnico havia começado sua carreira de treinador em 1993, e antes disso, bom…a Seleção Brasileira. O 7×1 em casa. A maior humilhação de uma seleção nacional perante sua própria torcida. Ninguém nunca se esquecerá de que o gaúcho foi o técnico do Penta brasileiro, claro, mas dificilmente alguém também se esqueceria daquela semifinal contra a Alemanha no Mineirão.

O presidente Galiotte e o clube sabiam que estavam apostando alto ao trazer de volta Felipão. Os meses seguintes, porém, provariam que era uma jogada certeira, que traria não apenas mais um título nacional para o Palmeiras, como garantiria um novo recorde de jogos invictos na era moderna do Brasileirão.

Felipe Melo abraça o técnico Luiz Felipe Scolari depois de o Palmeiras garantir a conquista do decacampeonato brasileiro

Recorde de invencibilidade

A estreia de Felipão talvez tenha ficado aquém da expectativa da diretoria e do torcedor palmeirense, já que foi apenas um empate em 0x0 com o América-MG em Belo Horizonte. Depois disso, o Palmeiras embalou três vitórias consecutivas contra Vasco, Vitória e Botafogo, sem levar um gol sequer. Aliás, o gol sofrido contra o Fluminense foi o último em incríveis 39 dias, somando seis jogos do Brasileirão.

O próximo gol sofrido veio diante da Chapecoense, mas o placar foi de vitória do Verdão de São Paulo: 2×1 na Arena Condá. Nos dois jogos seguintes, mais duas vitórias sem sofrer gols, agora diante do Atlético-PR e a revanche contra o Corinthians no Allianz Parque – com direito a gol e provocação de Deyverson ao banco do rival, o que gerou um princípio de confusão.

Naquele momento, a 24ª rodada, o Palmeiras já era o terceiro colocado e estava a apenas 3 pontos dos dois líderes, Internacional e São Paulo. O próximo jogo foi um empate por 1×1 com o Bahia fora de casa, no qual o Verdão saiu atrás e empatou com Felipe Melo. Ainda jogando no Nordeste, o Palmeiras deu o troco no Sport, vencendo por 1×0 dentro da Ilha do Retiro.

A partida seguinte foi a vitória contra o Cruzeiro por 3×1, na Barra Funda, e marcou a chegada do Verdão à liderança, para não sair mais. A 28ª rodada reservava o aguardado duelo contra o rival e vice-líder São Paulo no Morumbi, partida que acabou em 2×0 para o Palmeiras e encerrou um tabu de mais de 16 anos sem vitória do alviverde na casa do tricolor.

Jogadores e membros da comissão técnica do Palmeiras comemoram a vitória sobre o Vasco da Gama em São Januário, que garantiu o título do Verdão

Dali em diante o Palmeiras se viu na situação de apenas administrar a primeira colocação, o que o alviverde fez de maneira brilhante, sem perder um jogo sequer e empatando somente três, tomando só 7 gols e marcando 18 vezes.

Vitórias contra Grêmio e Ceará mantiveram o Palmeiras isolado na liderança, até que chegou a hora de pegar o então vice-líder e principal perseguidor de novo, o Flamengo, dentro do Maracanã. O jogo foi duríssimo e terminou em 1×1 diante de mais de 50 mil espectadores, mas a vantagem foi o Palmeiras, que manteve distância do perseguidor.

As últimas rodadas viram vitórias contra Santos, Fluminense e América-MG e empates com Atlético-MG e Paraná. O Palmeiras chegou à penúltima rodada podendo ser campeão com uma simples vitória contra o Vasco em São Januário, independente do resultado do Flamengo, e foi o que os torcedores viram. Vitória, glória e decacampeonato. Ninguém alcança o Palmeiras em número de títulos brasileiros por um bom tempo!

Jogo de despedida da temporada

A temporada ainda não chegou ao fim, e o torcedor palmeirense vai ter o privilégio de se despedir do time campeão de 2018 em casa, na 38ª e última rodada do campeonato contra o virtualmente rebaixado Vitória.

Felipão e seus comandados já estabeleceram um novo recorde de invencibilidade – 22 jogos consecutivos sem perder – e certamente vão querer esperar a temporada 2019 não apenas com o troféu no colo e um sorriso no rosto, mas também com um recorde ainda maior para ser batido. Com seus 61 gols feitos e apenas 24 tomados, a Sociedade Esportiva Palmeiras fez por merecer seu mais novo caneco nacional!

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