Top 10: as camisas mais feias de todos os tempos

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Ainda esta semana, fomos brindados pelo Manchester City com uma das camisas de futebol mais horrorosas de todos os tempos. É verdade que se trata de um kit comemorativo limitado, mas bem pouca gente – incluso aí os torcedores dos Citizens – achou essa uma homenagem minimamente digna da história recente de sucesso do clube.

Inspirados nessa monstruosidade em forma de uniforme de futebol, resolvemos fazer uma visitinha ao passado glorioso do esporte mais popular do mundo em uma busca infame: as piores ideias de uniforme de todos os tempos, incluindo aí europeus e brasileiros. É claro que existem muito mais do que apenas dez camisas feias ou de simples mau-gosto, mas tentamos ficar nas que realmente se destacam entre as ideias mais furadas.

10. Mancha de ketchup – Athletic Bilbao, 2004

A ideia era evocar a glória do sangue basco, mas o Athletic Bilbao só conseguiu evocar uma toalha manchada, infelizmente

O motivo por trás da criação dessa camisa que parece mais uma toalha manchada de ketchup está na própria cidade de Bilbao, que é conhecida dentro da Espanha por seus museus e história cultural. O time mais famoso da cidade e de todo o País Basco, o Athletic, resolveu entrar na onda de vanguarda artística, mas o resultado não foi bem o esperado (ou talvez até tenha sido, vai saber).

No final das contas, essa camisa que só Deus sabe o que deveria representar (alguns falam sobre evocar o sangue basco) acabou sendo usada em poucos jogos da Copa da UEFA daquele ano e nunca mais. Virou item de colecionador, claro, mas mais item de chacota dos rivais.

9. A Banana Estragando – Arsenal, 1991-1993

O torcedor do Arsenal já está tremendo de pavor, levando em conta que a Adidas voltará a fornecer o material esportivo do clube a partir de junho deste ano

Esse é um uniforme muito famoso, conhecido entre torcedores do Arsenal como Banana Passando – e nem precisamos justificar o porquê, certo? Diferente de outras peças que entraram nessa lista, a camisa criada pela Adidas não era terceiro uniforme ou camisa comemorativa de nada, muito pelo contrário: era a segunda camisa, e foi mantida durante duas temporadas inteiras (1991-92 e 1992-93).

O Arsenal, inclusive foi campeão do double FA Cup e Copa da Liga em 1993, embora com seu uniforme titular, é verdade. Ah, e vale dizer que uma nova versão da Banana Passando pode surgir na próxima temporada, já que a Adidas voltará a ser a fornecedora esportiva do time e, como todo mundo sabe, é bem chegada em peças retrô.

8. Deu a louca no gerente (de marketing) – Botafogo, 2015 e 2016

Não bastasse dar um ar de quarta divisão para o uniforme, o Botafogo teve a moral de repetir o negócio com a mesma empresa um ano depois

Faz muito tempo que o futebol brasileiro perdeu totalmente o decoro (e a noção) quando o assunto é marcas estampadas nas camisas. Tudo bem, não dá pra ser inocente e pensar que camisa lisa se sustente num mundo capitalista selvagem como o de hoje, onde o espaço para publicidade no uniforme de qualquer clube vale ouro, mas saber a diferença entre um bom negócio de patrocínio e o ridículo faria bem a alguns clubes, notadamente o Botafogo em 2015 e 2016.

Não estamos falando aqui do uniforme do Fogão, que é basicamente seu tradicional, e sim do estrago causado pelo acordo feito com a empresa Casa & Vídeo, que achou por bem colocar não apenas seu nome nas costas de cada camisa, como também ofertas inteiras. A melhor parte, aliás, foi ver o time carioca jogar o primeiro tempo com produtos vendidos a determinados preços na camisa e, no segundo, com os mesmos destaques, mas ainda mais baratos. Pior de tudo foi o Fogão aceitar repetir a dose no ano seguinte.

7. Colagem relaxada – Manchester City, 2019

Uma imagem fala mais do que mil palavras, então vamos deixar você com essa imagem do Kevin De Bruyne super feliz por ser o modelo desse uniforme especial do City

Eis aqui o motivo de termos feito nossa matéria (e também a foto de capa dela). É verdade que não é incomum times fazerem uniformes especiais comemorativos, e vamos combinar que a maioria deles já não dá muito certo (quem lembra daquela desgraça toda vermelha do São Paulo, apresentada para “comemorar” as arquibancadas de mesma cor, em 2013?), mas o Manchester City foi além do que é aceitável até para os padrões celebrativos.

A justificativa oficial do City para criar o Frankenstein em questão foi pegar partes de suas camisas das seis últimas temporadas – as mais vitoriosas de sua história – e lançar um uniforme especial, combinando nada menos que nove dos kits anteriores. O resultado foi essa colcha de retalhos de mau-gosto, a qual parece bem-avaliada pela cara do De Bruyne usando a peça ali em cima.

6. Azul e empolgado – Manchester United, 1992

O United mergulhou de cabeça nos anos 90 com esse uniforme, que hoje em dia (e já na época) é visto como uma coisa extravagante, exagerada e, de maneira geral, simplesmente cafona

Ah, os anos 90… Para o futebol, uma época ainda lembrada com extremo carinho e nostalgia, especialmente aqui no Brasil. Na Inglaterra, 1992 foi justamente o ano em que nasceu a Premier League, versão moderna do campeonato que vemos até hoje.

A década que representou um estilo de jogo marcante e inesquecível também trouxe consigo uma safra de uniformes típicos, em geral largos e bufantes. Para a primeira temporada no novo formato da liga, o Manchester United achou que seria uma boa ideia inovar no seu segundo uniforme e lançar uma camisa com jeito moderno, estampado uma versão aumentada do brasão do clube numa espécie de marca d’água. O resultado foi um tanto controverso (e brega) e, embora uns poucos defendam o uniforme, a maioria dos torcedores Red Devil prefere esquecer que essa monstruosidade azul rajada de preto existiu.

5. O fracasso camuflado – Santos, 2017

Os torcedores odiaram esse uniforme estranho desde o momento em que ele foi lançado até quando parou de ser vendido, não muito tempo depois

Em setembro de 2017, o torcedor do Santos estava amargando a dura eliminação em casa na Libertadores para o Barcelona de Guayaquil-EQU. E então, bem em meio à tristeza pela derrota, o que a diretoria do Peixe resolve fazer para tentar animar a galera? Isso mesmo, lançar o terceiro uniforme da temporada, uma coisa camuflada em tons de cinza e preto que causou asco até no mais paciente e mente aberta dos torcedores.

A reação foi pavorosa, as vendas foram baixas e, hoje em dia, menos de dois anos depois do lançamento da camisa, é difícil ver um santista ostentando o camuflado horrível – ainda bem. Assim como aquela temporada, essa é uma camisa que não deixou muita saudades nos santistas.

4. Mural em forma de roupa – 1860 München, 2010

O 1860 München não tem muito o que comemorar hoje em dia, mas celebrar um passado mais feliz desse jeito não foi exatamente a mais brilhante das ideias

Falar o nome da cidade de Munique desperta em todos a imagem de futebol na hora – afinal, é a cidade do Bayern, um dos times mais bem-sucedidos do mundo. O uniforme do qual falaremos aqui, porém, é do irmão menor e menos famoso (embora muito mais antigo) do Bayern, o 1860 München.

Essa coisa que vocês estão vendo acima foi lançada para comemorar os 150 anos do clube (que só passou a jogar futebol em 1899, é bem verdade), mas o resultado não foi nada digno de celebração. Combinando diversas cenas do passado de glória do clube bávaro, o uniforme quis evocar nostalgia e reviver a memória felizes de dias passados. Talvez tivesse ficado legal nos corredores da sede do clube, mas no uniforme… bom, a imagem fala por si só. Desastre.

3. Selvagem em excesso – Hull City, 1992

Tudo bem que o Hull City é chamado de The Tigers e chegou até a considerar mudar o nome oficialmente para Hull Tigers uns anos atrás, mas esse uniforme foi um pouco demais

Como já deve ter ficado claro, os anos 90 não eram brincadeira quando o assunto era uniforme de futebol feio, especialmente na Inglaterra. Razoavelmente conhecidos por quem acompanha futebol de forma geral, o Hull City estava na terceira divisão inglesa quando lançou essa camisa selvagem, que acabou se tornando inesquecível através da infâmia.

Pra quem não sabe, o apelido oficial do Hull é The Tigers, mas se os diretores e responsáveis pelos uniformes queriam impressionar o mundo com um uniforme que fizesse jus ao nome, conseguiram apenas passar vergonha. O pior foi o time ter insistido em tal design até pelo menos 1995, quando finalmente trocou de fornecedora de materiais esportivos e deixou seu lado selvagem vexaminoso para trás. Ainda assim, medalha de bronze pela falta de noção e excesso de perseverança num uniforme tão lamentável.

2. A camisa do corpo perfeito – Reggina, 2012

Chamar os jogadores de futebol de gladiadores modernos é um clichê até que legal, mas transformar esse conceito em uniforme desse jeito é uma mancada sem tamanho

A medalha de prata fica com um time pequeno da Itália, o Reggina, da região da Calábria, que na época disputava a Série B do Calcio (hoje estão na Série C). O termo apropriado aqui talvez seja “empolgou”, visto que ambos primeiro e segundo uniformes são quase iguais: as duas tentam retratar uma estátua de um guerreiro ou divindade do período romano clássico, com um torso masculino malhado e bem-definido.

Embora para um jogador de futebol esse seja um físico até esperado, pobre do torcedor que fosse comprar essa camisa – via de regra, ia ficar parecendo aquele tiozão que todos conhecem, que faz churrasco com avental engraçadão retratando um corpo musculoso. A mais pura vergonha alheia em forma de tecido.

1. Escorregada nazista – Fiorentina, 1992

É quase difícil acreditar que uma equipe inteira de designers, profissionais de marketing, material esportivo e tantos outros não tenham notado a mancada fenomenal que estavam dando conforme essa camisa foi sendo desenvolvida

Nosso primeiríssimo colocado é também um italiano, como o segundo, e um uniforme também dos anos 90, como o terceiro. Ouro para a Fiorentina de 1992 (que ano foi esse hein!), que conseguiu superar todas as barreiras do bom-senso e da noção numa única camisa de jogo!

Quem bate o olho rápido pode achar que esse uniforme é perfeitamente normal, tirando talvez o patrocínio em tamanho um pouco exagerado da saudosa Seven Up. Um olhar um pouquinho mais atento na parte de cima e nas mangas , porém, e fica fácil notar a gafe monstruosa cometida pelos designers: as linhas cruzadas formam um monte de inconfundíveis suásticas.

Parabéns para a Fiorentina e toda a equipe por trás desse trabalho memorável – não apenas por desenvolvê-lo, como pela coragem de lançá-lo.

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