Não há uma razão para comemorar a Copa com 48 seleções

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Harry Kane

Diferentemente das ligas americanas, onde as direções buscam mudanças para melhorar o jogo e tornar eles mais atrativos, parece que a FIFA, Conmebol e UEFA sempre que chegam com uma alteração, é para pior.

Dá para citar várias ideias de jerico. A Libertadores em final única é uma das minhas “preferidas”, já que mata uma das coisas mais legais da competição – a festa nos estádios e o mando de campo forte – para imitar algo que acontece na Champions. Mas sem a facilidade para viajar, a renda média européia e os estádios de alta qualidade.

Agora Gianni Infantino, presidente da FIFA, veio com uma inexplicável. Na verdade bastante explicável ($$$$$), mas péssima do mesmo jeito. Aumentar a Copa do Mundo de 32 para 48 seleções, algo aprovado em conselho da FIFA e que será discutido com o país-sede (Catar) para passar já em 2022. A decisão virá em junho.

Copa do Mundo ficará (ainda) pior

Quando falei que a Copa do Mundo não era mais o parâmetro máximo de qualidade e excelência técnica no futebol no post

Claro que a Copa ainda reúne quase todas as estrelas do esporte e por isso tem seu valor. Mas, por exemplo, em 1970, os craques do Brasil ficaram três meses juntos se preparando. Hoje as preparações para a Copa não chegam a um mês.

Antes a nata dos treinadores estava na seleção. Hoje só o Brasil, das grandes potências, tem seu melhor treinador (não acho ele tudo isso, mas enfim) no comando de sua seleção. Pep Guardiola não é o treinador da Espanha, Jurgen Klopp não dirige a Alemanha, Mauricio Pochettino não está à frente da Argentina (sorte dele) e por aí vai.

Enfim, são vários os argumentos que dá para citar para falar que a Copa não é mais o padrão-ouro da técnica do esporte. E essa decisão das 48 seleções só vai piorar tudo. Primeiro porque vai tirar o (pouco) peso que as eliminatórias têm.

Inclusive, já que citei Messi e C. Ronaldo, duas das partidas mais impressionantes de suas carreiras foram com suas seleções à beira de não ir para uma Copa. Messi contra o Equador e Ronaldo contra a Suécia.

Ter seis seleções sul-americanas classificadas e mais uma para a repescagem é um exagero enorme. Esse mesmo número na Concacaf é um absurdo, assim como oito seleções e mais uma da repescagem para a Ásia.

romelu lukaku
A Copa do Mundo já tem as seleções suficientes. Jogar água no feijão não ajudará

Esse aumento, que pode acontecer já na Copa do Catar, irá transformar as partidas iniciais, que já são chatas normalmente – porque mesmo as melhores seleções não tem ritmo e entrosamento algum -, em um porre.

A Copa do Mundo tinha que ser mais selecionada ainda ou se manter igual, não aumentar. O calendário europeu já é pesado com os atletas e eles não chegam 100%. O certo seria estender um pouco a preparação, não empurrar mais seleções, manter o número de jogos, mas um jogo de mata-mata a mais.

Isso não vai alterar favoritos – aliás, Brasil e França pagam 5,5 e 6 para 1 na Betfair neste momento para vencer a Copa – os mesmos de 2018, não colocará grandes seleções na parada e vai dificultar a logística. Qual a razão então?

A razão é clara

Dinheiro. Com mais 16 seleções, você tem 16 países mais ligados na competição. Se der para empurrar a China ou Índia para a Copa com algum pênalti absurdo, melhor ainda. Só os direitos televisivos dessas participações vai garantir muitas festas em Zurique.

Só que aos poucos você vai tirando o que é legal da Copa. Para mim ela já ter perdido o padrão de excelência do esporte é um problema, mas tudo bem, não tem como brigar com a Champions.

Agora, a Copa ainda era legal por ser seleta e ter eliminatórias longas para decidir quem joga ou não. A mudança de 24 para 32 de 1994 para 1998 já tinha causado algumas entradas toscas ao longo destes anos. Agora tudo deve piorar claramente.

E segundo sobre o que é legal na Copa, o fato de ser em um país e criar um clima inacreditável nele sempre foi um barato. Desconsiderando a conta gigantesca e a roubalheira desenfreada, o brasileiro sentiu isso em 2014, uma das últimas experiências que existirão nesse sentido.

Para 2026 estão garantidas as 48 seleções e serão TRÊS países-sede. E três gigantes: México, Canadá e Estados Unidos. Dificilmente existirá qualquer coisa similar ao que rolou na Alemanha em 2006 ou África do Sul em 2010.

Ou seja, no período entre Copas veremos o Brasil disputando amistosos horrorosos e uma eliminatória basicamente dada, já que só Bolívia e Venezuela e mais uma pobre coitada devem ficar de fora. E quando chegar na Copa podemos ter um grupo de três com duas seleções ruins em um país que mal sabe que está rolando competição porque está dividindo com mais dois.

Sensacional.

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